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sábado, 3 de dezembro de 2016

ZUMBIU ORÍ



 ZUMBIU  ORÍ
Uma brisa me abate
Tornados nesse relento
Religa-me ao bento
E coisa de Oyá
Desculpa o jeito de fala
É sabedoria de mandinga
Que vem de outros tempos
Que avó me ensinou
Como dizia os antigos
A qual cura a ferida
E deixa a mente sã
Da cautela ao instinto
No encontro dos ventos
Leva a cabeça serenar
qual sentinela fun-fun
Como repouso do leão
Como um ritual xamã
Porque ação é sensitiva
Primitiva intuitiva
Invocado o que espero
Filtrado o que relevo
O  que não excito
Fortalecer meu mito
E sentir que a quero
Porque é no rito
Que me libero
E sem saber dizer
Ao que confio
Que vem prodígio
Som do apito
Que canta ao ouvido
Como fogo me revela
Passeio à alameda
Dos pensamentos
E a dança das labaredas
Chamas que sobem
E caminham a sua esquerda
Viram lava de suor
Soma aos fundamentos
E a troca do mal me quer
da margarida acabrunhada
A evolução de provimentos
Com pés firmados ao Aye
É o pouso do bem querer
E navega em águas
Com velas, revela.
E belas presenças
Libera a mente
Aos mistérios de Olorum
De bênção e salvas
Se for amor é Oxum.
SÉRGIO CUMINO – POETA DE AYRÀ

sábado, 26 de novembro de 2016

SINGULARIDADE NUA



SINGULARIDADE NUA
Singularidade  sua
que me apaixonei
Questão não é ser,
Passageiro ou eterno
Mesmo sem um porque,
Sentir a intensidade
É esvaecer etéreo
O clímax da transformação
Antítese de não ser
O ato em seu gozo brado
Ardor de luz efêmera
Ventos em desequilíbrio
É a tempestade
 Que se forma em mim
Que mesmo por momentos
E a síntese envaidecer
Tudo revela um sentido
Com a luz dessa fêmea
Até o  balanço  na rede
Esperando maresia beijar
Bem como a cabeça divaga
Sem saber que cabimento teve
Mas já sabido ao mergulhar
Da paixão ela ocupa vaga
E a trama iremos juntos tecer
Indo do Céu ao Inferno
Sua poesia exala beldade
Com calor e emoção
Assim como a magia da lua
            SERGIO CUMINO, POETA A FLOR E A PELE.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

INACESSIBILIDADE MULTIDISCIPLINAR




INACESSIBILIDADE MULTIDISCIPLINAR

Rota do Inacessível

Faz  dignidade parar

a travessia impossível

Desse horizonte sem luar

Um grito não ouvido



Para não se comprometer

E o Estado se resguardar

E não fazer o sentido

À resposta a esperar

nem em seu subjetivo



O que é incrível

Se no divã deitar

De um governo autista

O leva a se conformar

O porquê lhe aperto o crivo



Desde a idade do possível

entre os remotos  anos

isca o esquecido

como se fossem arcanos

Que  justifiquem os findos



Fatos que fazem crer

Vitimado o dolo tornar

Aí germina o grito

Resiste sem ar

Cético abraça o espírito



Hostil a grade oficial

De que vale cânticos

Para ramos escondidos

Mostram que nada somos

Mantendo-nos  perdidos



Sem poder ter

A equidade triunfar

Comunicar sem ruído

O prazer do tangível

Ser exceção da regra



Que agracie anormal

Dizer aos quatro cantos

Mesmo de poder inibido

No como é bom sorrir

por frutos colhidos



Quando vem a tolher

A incompetência secular

É o seio  do Estado caído

Sem amamentar cível

à baila de perolas



Desconhece a eloqüência

do universo a  ignorar

até o sonho restrito

Não há de  prosseguir

Torna-se um anjo caído



Receio a não escolher

ao que chamam funcionar

Mostra-se horizonte perdido

Calvário ao inacessível

Dessa alameda de regras



SÉRGIO CUMINO – PCD – POESIA COM DEFICIENCIA